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<EDIÇÃO 199>


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Venda economia, ajude o planeta!

Os fabricantes de materiais para construção estão fazendo produtos cada vez mais econômicos, adequando-se ao alerta da valorização da água. Mas alertar para o uso racional é um dever de todos, até mesmo para o comerciante, que também deve incentivar a venda de produtos ecologicamente corretos.
São Paulo dá o primeiro exemplo de economia de água. Desde 2 de janeiro, tornou-se obrigatória a implantação de sistema para captação e retenção de águas pluviais coletadas por telhados, coberturas, terraços e pavimentos descobertos, em lotes edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 500 metros quadrados no estado de São Paulo. É o que determina a Lei estadual no 12.526/2007, promulgada pela Assembléia Legislativa para a prevenção de enchentes (DOL de 2 de janeiro de 2007). Para obrigar a criação do sistema, as aprovações e licenças para os parcelamentos e desmembramentos do solo urbano, os projetos de habitação, as instalações, as obras e outros empreendimentos ficam condicionados à obediência ao disposto na lei. O sistema de captação deve ser constituído de condutores e reservatório, com a capacidade aferida de acordo com o cálculo fixado no artigo 2o da lei. No caso de estacionamentos, 30% da área deve ser reservada para drenagem, seja sem piso, seja com o uso de pisos drenantes (os estabelecimentos desse tipo terão 90 dias para se adaptar à lei). A lei permite três destinos para a água reservada: infiltração no solo; despejo na rede pública depois de uma hora de chuva; e utilização para finalidades não potáveis, em edificações que tenham instalações desse tipo (água de reuso, para regar jardins ou lavar pisos, por exemplo). A lei é originária do Projeto de Lei no 464/05, de autoria do deputado Adriano Diogo (PT). Em sua justificativa, o deputado afirma que, além dos prejuízos recorrentes em áreas urbanas com alta impermeabilização durante períodos de chuvas, também a qualidade de vida e a saúde são afetadas diretamente, com a destruição de patrimônios pessoais e o risco de contração de doenças infectocontagiosas, comumente ocasionadas pela água de enchentes. “Uma inundação, embora localizada em determinado rio ou bacia, acaba atingindo a economia de todo o estado, tendo inúmeros impactos e prejuízos indiretos”, diz o deputado e ex-secretário do verde e do meio ambiente do município de São Paulo. Segundo o parlamentar, a população atingida por inundações nas épocas de chuvas fortes não estabelece relação entre o evento e o excesso de água de chuva que escoa sem ser absorvida pelo solo, impermeabilizado por pisos, cimento e asfalto. “A carência da educação ambiental, da mesma forma que impede as pessoas de compreender que a prática cotidiana de lançar resíduos em ruas e córregos resulta em assoreamento dos rios e provoca enchentes, dificulta a percepção de que o excesso de asfalto, de cimento e de calçamentos, a eliminação de áreas verdes, nas ruas e nas residências, impermeabilizam o solo”, afirma. “Se essa impermeabilização significa maior conforto para automóveis, pedestres e moradias, impede que as águas das chuvas penetrem no solo e, conseqüentemente, diminuam de volume antes de alcançar os rios. Ou seja, os cidadãos não se dão conta de que os |,ralos|, das cidades não podem suportar um volume de água, quando parte dela devia |,perder-se|, pelo caminho, infiltrando-se na terra”, afirma a justificativa do projeto. Ocorre que não há mais terra descoberta suficiente para que a própria natureza dê conta de conter as inundações. Uma maneira de contribuir com a redução dos alagamentos é diminuir a velocidade de escoamento das águas pluviais em direção aos rios, simulando a permeabilidade do solo perdida, argumenta o deputado. Na Câmara Municipal de São Paulo tramita desde 2005 o Projeto de Lei 743/05, que propõe incentivo fiscal, em forma de desconto no IPTU, aos contribuintes que, em suas edificações, mantenham áreas permeáveis que possibilitem a efetiva absorção de água de chuva. O desconto é de 3% a 8%, podendo chegar a 10%, caso a parte permeável atinja um quinto da área total do terreno. O projeto, de autoria da vereadora Claudete Alves (PT), tramita na Comissão de Constituição e Justiça. A escassez de água é um problema mundial. Segundo a Organização das Nações Unidas, 97,3% da água no mundo é de mares e oceanos (portanto, salgada, cujo processo de dessanilização é ainda muito caro); 2,34% são águas em forma de gelo ou localizadas nos lençóis freáticos profundos, de difícil utilização; os outros 0,36% são de águas de rios, lagos e pântanos, apropriadas para o consumo, mas distribuídas desigualmente pelos países. Deste porcentual, segundo o livro Águas Doces no Brasil, 88% são utilizados pela agricultura, 7% pela indústria e apenas 5% são destinados ao consumo humano direto. PRODUTOS CERTIFICADOS Os produtos hidráulicos certificados, e dentro das normas nacionais, ainda não são totalmente conhecidos pelos consumidores. O que se vê, principalmente nos grandes centros, é o uso incorreto e indiscriminado da água na lavagem de calçadas, no chuveiro e nas torneiras. Alguns números levantados pelo Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento são de assustar. Pelas estatísticas computadas em 2001, a mais recente disponível, o consumo médio per capita de água (litros/habitante/dia) indicava maior consumo no estado do Rio de Janeiro, com 219,21 l/hab./dia, seguido pelo Espírito Santo, com 194,03 e Distrito Federal, com 193,29. A cidade de São Paulo, que tem sérios problemas de abastecimento e de reservas naturais de água, apresentou uma taxa elevada de 160,84 l/hab./dia. O número absoluto é inferior ao de muitos outros estados, como o Amapá, com 163,03, ou Mato Grosso, com 163,29, mas se levarmos em conta que o estado de São Paulo tem a maior população do Brasil, veremos que o gasto é bastante elevado. Se até alguns anos atrás a idéia de pessoas duelando por fontes de água em um mundo desértico só passava pela cabeça de roteiristas de filmes futuristas de gosto duvidoso, hoje esta previsão sombria faz parte da agenda de preocupações da Organização das Nações Unidas (ONU). No exato momento em que você lê este artigo, há milhões de pessoas com sede e sem água para beber em alguma parte do planeta. Pode parecer estranho afirmar que a água doce do planeta está atingindo níveis críticos quando praticamente 80% de sua superfície é coberta por água, porém, nem toda essa água é potável. Grande parte da água que encobre o planeta é salgada. E, ainda, parte das reservas de água doce está sendo poluída pelos esgotos domésticos e industriais não-tratados, pelo uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura – desperdiçada –, pela irrigação de plantações, pelo mau uso da água tratada ou ameaçada, pela ocupação de áreas de mananciais e pela desertificação de regiões desmatadas. Mesmo países com grandes reservas de água doce, como é o caso do Brasil, dos Estados Unidos e da África do Sul, já enfrentaram ou enfrentam problemas com abastecimento de água em algumas regiões. Para nos atermos apenas ao caso específico de nosso país e desconsiderando os problemas crônicos de seca de determinadas regiões do Nordeste, a Grande São Paulo já passou por vários problemas de abastecimento, impondo severos racionamentos de água a sua população. SOLUÇÃO COMEÇA EM CASA A questão da água potável é delicada e séria. É um tema que não se restringe apenas a governantes e técnicos, mas também à população em geral, que deve se informar sobre o assunto, educar-se para evitar o desperdício e cobrar de seus representantes eleitos as devidas medidas. Em 1997, a exemplo do que foi feito nos países do Primeiro Mundo, com a finalidade de reduzir o consumo d|,água nas instalações sanitárias, o Ministério do Interior, através do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Hábitat (PBQP-H), estabeleceu em norma novos limites máximos de utilização de água para a limpeza de bacias sanitárias, a serem adotados, gradativamente, até 2002. Segundo essa determinação governamental, até 1999 as bacias sanitárias utilizadas no Brasil poderiam consumir até 12 litros de água de descarga por ciclo. A partir de 2000, esse limite passou para 6 litros, nível já adotado pelos países da Comunidade Européia e da América do Norte. Para que se possa estabelecer e controlar o volume do consumo de água das bacias sanitárias é necessário que a descarga seja provida de uma caixa de descarga, que por sua própria natureza só pode liberar volumes de água de acordo com o volume de seu reservatório. Relatório realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta que nos próximos 10 anos serão necessários US$ 800 bilhões em investimentos para evitar que o mundo sofra uma seca sem precedentes. Os recursos disponíveis atualmente não passam de US$ 40 bilhões. E pesquisas realizadas pela Organização Mundial da Saúde comprovam que 1,2 bilhão de pessoas não dispõem de água potável para uso doméstico; 80% das doenças e 30% de óbitos são causados por água contaminada. No total, 26 nações possuem menos de 1.000 m3 de água potável por habitante (segundo a Organização das Nações Unidas), o que coloca uma população de 255 milhões de pessoas à beira do colapso. Dados da Unesco revelam que o consumo de água no planeta, de 1900 para 1995, aumentou de 6 a 7 vezes, mais que o dobro do crescimento da população no período. Conseqüentemente, a água disponível caiu de 12.900 m3/pessoa/ano, em 1970, para 7.600 m3, em 1995. Números atualizados ainda não estão disponíveis, mas a continuar na mesma progressão, devem ser alarmantes. CONSUMO DOBRA NO PAÍS Mas vamos ao que nos interessa mais diretamente. Nos últimos 20 anos, o consumo per capita de água dobrou no Brasil e a expectativa é de que dobre outra vez nos próximos 20 anos. A disponibilidade de água per capita atualmente é três vezes menor que em 1950. Segundo a OMS, 72 brasileiros em cada 100 contam com sistema de abastecimento de água (dados de 1998). O Brasil possui por volta de 12% das reservas de água do mundo, porém 80% dos mananciais se localizam na Amazônia, região que concentra apenas 5% da população. Restam 20% para abastecer 95% dos brasileiros. Agora é possível entender um pouco melhor por que os estrangeiros estão tão preocupados em preservar a Amazônia: preservar a água para salvar suas vidas. Os maiores fatores que causam a redução das fontes são a poluição (dejetos, resíduos tóxicos, metais pesados e erosão do solo) e a alta demanda (desenvolvimento econômico, urbanização, uso excessivo e desperdício). Gotejamento Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), que mantém um programa de preservação da água chamado Pura, os maiores desperdícios começam dentro de casa. E cita como exemplo o que acontece com uma torneira mal fechada. O simples gotejamento desperdiça 46 litros a cada 24 horas; uma simples abertura de 1 mm provoca o desperdício de 2.060 litros a cada 24 horas e por aí vai. O ato de lavar as mãos pode desperdiçar até 7 litros e para aqueles que fazem a barba com a torneira aberta, um dado importante: você está gastando 75 litros de água. É bom rever os seus hábitos para ajudar a economizar a água do planeta. A água tratada custa caro. No Brasil, o preço chega a US$ 4,40 por m3, acima de 50 m3. Em Santa Catarina, por exemplo, o preço cobrado pela Companhia de Água e Saneamento do Estado de Santa Catarina (Casan) para consumo residencial é de R$ 2,44 o m3 para volume acima de 25 m3 por mês. Para empresas e poder público, a taxa é de R$ 2,44 o m3 para consumo acima de 10 m3 por mês. Vejam que a água ainda custa barato para os brasileiros. O que fazer A primeira coisa que devemos ter em mente é procurar produtos que contribuam para a economia de água. Muitos fabricantes estão preocupados com o panorama nacional e já estão trabalhando com produtos que realmente evitem o desperdício. As novas caixas d’água acopladas já estão no padrão nacional de 6 litros por descarga, uma redução de quase 50% em relação às antigas. Muitas empresas, restaurantes, aeroportos e locais de grande afluência de público estão utilizando torneiras com dispositivo de fechamento automático, o que reduz bastante o consumo diário. Os próprios revendedores devem procurar sugerir esses produtos ao realizar vendas diretas aos consumidores. As novas obras devem ser equipadas com aparelhos que, de alguma maneira, contribuam para a economia e, na medida do possível, os proprietários de imóveis antigos devem ser orientados, quando de reformas, para utilizar esses novos produtos. Podem até ter um custo inicial mais elevado, mas poderão trazer uma boa economia para quem os utiliza. Timer A Famastil, de Gramado, acaba de lançar um timer para torneira que utiliza tecnologia para a economia de água. O dispositivo é acoplado à torneira e desliga automaticamente ao fim do tempo predeterminado pelo usuário. O timer possui um relógio com tempo total de duas horas. O uso mais indicado é para consumidores que precisam manter o sistema de irrigação de jardim ligado, mas não podem permanecer no local. O produto não possui prazo de validade. O que a empresa orienta ao revendedor é manter a exposição ordenada e de fácil acesso ao consumidor, sobretudo no caso de lançamentos inovadores como esse para o sucesso nas vendas. De acordo com o gerente de marketing da Famastil, Giuliano Tisott, o produto foi desenvolvido com uma embalagem facilitadora ao consumidor, com características e instruções claras sobre o uso. Várias empresas trabalham com produtos economizadores de água. Bons exemplos vêm de Deca, Famastil, Lorenzetti, Viqua, Fabrimar, Montana, Docol, Tigre, Corona, entre outras. São algumas delas que mantêm departamentos de engenharia e desenvolvimento trabalhando para lançar produtos que possam contribuir para a economia da água. Bom exemplo Nos últimos 70 anos, a população do planeta triplicou. A demanda por água aumentou seis vezes. Mantidos os padrões atuais, em 2025, 4 bilhões de seres humanos não terão acesso ao precioso líquido. Esse foi o tema da mensagem da Multicoisas na Campanha de Conscientização do Uso Racional da Água, realizada no ano passado. O objetivo foi conscientizar não só os 600 funcionários da rede, como também estender a divulgação aos cerca de 400 mil clientes, em todo o Brasil. Para isso, foram distribuídos 10 mil adesivos em todas as 48 lojas, além da produção de 200 cartazes informativos sobre a necessidade de se utilizar a água corretamente. Ao iniciar o atendimento, todos os funcionários estarão aptos a fazer uma breve explicação aos clientes sobre a Campanha. Para transmitir os valores da empresa quanto ao meio ambiente, a ação se estenderá a escritórios, escolas, clubes, clínicas, restaurantes e demais lojas da vizinhança das lojas Multicoisas.
Publicado em 15 de março de 2007 por Equipe ConstrucaoTotal
 
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