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<EDIÇÃO 193>


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Janela indiscreta

Nas últimas semanas de agosto e início de setembro, me flagrei espiando pela janela do hall dos elevadores do prédio onde fica a editora. Onde antes existia um imenso terreno, há muito abandonado, agora o movimento de máquinas, operários e caminhões fazem o nosso divertimento, enquanto esperamos o elevador – há algo mais chato do que esperar elevador sem saber em que andar ele está? Num piscar de olhos, ou numa das esperas mais longas, notei que o terreno foi limpo, construiram um estande de vendas que daria para comprar um bom apartamento, e o terreno foi dando lugar a um imenso canteiro de obras. Máquinas poderosas invadiram o espaço, começaram a cavar um imenso buraco e fundações estão sendo realizadas. Caminhões e mais caminhões de concreto despejam suas cargas nos buracos milimétricamente feitos. Dá para imaginar o tamanho do prédio que vai subir. Fico particularmente feliz em ver a construção subir. Certamente, os que lá trabalham sentirão orgulho quando passarem pela av. Marginal do Pinheiros, local da obra, e ver o imenso prédio pronto. Um pouco do suor derramado por eles estará enterrado debaixo de muito cimento, aço e vidro. Nunca vi, confesso, uma grande obra sendo erguida tão perto de mim. E está me chamando a atenção para o que poderia ser o Brasil se um pouco da gastança que promovem os candidatos nas eleições fosse destinado às moradias. Em todo o Brasil. Seria uma beleza. A população carente poderia ter esperança de uma casa digna, de alvenaria, com água, luz, esgoto e possibilidades de ter o conforto que a tecnologia moderna oferece. Junto com as grandes obras chegam também os revendedores de material de construção. Afinal, quem não gostaria de dar uma melhorada em um imó- vel popular? A obrigação do governo é construir, já o morador equipa seu imóvel como e quando quiser. Bem, enquanto isso me parece cada vez mais distante – e já estou no mercado há mais de 30 anos –, vou vendo o prédio crescer enquanto espero o elevador para descer. O título da carta refere-se a um excelente filme dirigido pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock. Nele, um fotógrafo que quebrou a perna fica espiando da sua janela os seus vizinhos e presencia um crime. Eu, espero, só quero acompanhar a evolução do prédio. Boa leitura!
Publicado em 22 de setembro de 2006 por Equipe ConstrucaoTotal
 
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